Antarctica

2014 jun

Em 1950 foi lançado pela Antarctica o Guaraná Caçula, refrigerante em garrafa de 185 mililitros, volume até então inédito no Brasil. O Caçulinha, como ficou conhecido, tornou-se um sucesso de vendas no Brasil por exigir baixo desembolso. Era comum ver a embalagem nas mãos de crianças e frequentadores de estádios de futebol. Para divulgar o produto, a Antarctica criou a história em quadrinhos Capitão Caçula. As peripécias do herói, provavelmente inspirado em Flash Gordon, eram narradas em gibis de 36 páginas. O personagem caiu no gosto da criançada.

Capitão Caçula

 

2014 mar

Nos anos 1950, a Coca-Cola era acusada pelos seus concorrentes nacionais (mais precisamente pelo Guaraná Champagne, da Antarctica) de ser extremamente americana e não traduzir a “essência brasileira”. Para se defender, a Coca-Cola recorreu à sua embalagem, como mostra o texto do anúncio.

“Ela também é brasileira! Referimo-nos à bonita mocinha, é lógico, porque a tampinha sempre foi fabricada no Brasil! Esta é uma das muitas formas pelas quais a indústria brasileira de Coca-Cola está intimamente entrosada com outras indústrias nacionais, que lhe fornecem os produtos indispensáveis à fabricação da sua gostosa Coca-Cola.”

coca cola brasileira nos anos 50

2014 jan

Soda ChampagneLançada em 1954 pela Cia. Antarctica Paulista, a Soda chegou ao mercado com o complemento “champagne”, assim como o Guaraná Antarctica. Mas, diferentemente deste, que só tirou a expressão “champagne” do nome devido a reclamações de vinicultores franceses da região de Champagne, a Soda permaneceu pouco tempo com o acessório em seu nome. Logo depois do lançamento, o refrigerante passou a se chamar Soda Limonada Antarctica, nome que ostenta até hoje, depois de passar alguns anos sem a palavra “limonada” nos rótulos.

2013 nov

A Companhia Antarctica Paulista, conhecida por suas cervejas, já teve bebidas destiladas. A empresa lançou em 1936 o uísque Dois Pinguins e o Gin Extra Seco Antarctica. Não se sabe por quanto tempo permaneceram no mercado.

2011 abr

A história da cerveja Original teve início em 1906, quando Henrique Thielen, recém-chegado da Alemanha, fundou a Cervejaria Adriatica, em Ponta Grossa, no Paraná, com equipamentos trazidos de seu país natal. Ele deu o nome de Original à sua cerveja Pilsen. Em 1943, a família Thielen vendeu a Cervejaria Adriatica para a Cia. Antarctica Paulista. Foi aí que ela ganhou o nome que tem até hoje: Antarctica Original. O rótulo ainda mantém alguns elementos originais – como o fundo amarelo, a tipologia e o losango azul com a inscrição “pilsen” – e herdou da Antarctica os pingüins e a faixa azul (que hoje desapareceu da “marca mãe”, Antarctica). Hoje a Original faz parte do portfólio da Ambev.

2010 ago

No dia 6 de agosto de 1933 foi realizado pelo Jockey Club Brasileiro o primeiro Grande Prêmio Brasil, no Hipódromo Brasileiro (hoje Hipódromo da Gávea), no Rio de Janeiro. As tribunas estavam lotadas, inclusive com a presença de Getúlio Vargas, chefe do governo provisório. Por um pescoço de diferença, o cavalo pernambucano Mossoró venceu o argentino Belfort, com o uruguaio Bambu em terceiro lugar.

As reportagens da época contam que o público invadiu a pista e em delírio tentou carregar o cavalo nos ombros. Numa época de nacionalismo exacerbado, em que o turfe era o esporte mais popular do país, Mossoró virou herói nacional. Foi então que a Fábrica de Cerveja e Gelo Columbia, de Campinas (SP), que produzia as cervejas Franciscana, Duqueza, Columbia e Negrita, lançou um novo produto em homenagem ao “salvador da pátria”. O rótulo da cerveja escura Mossoró estampava a cara do cavalo campeão. Em 1957, a Cervejaria Columbia foi comprada pela Antarctica e seus produtos foram gradativamente retirados do mercado. A Mossoró sobreviveu até o início na década de 1960.

Cavalo Mossoró (à esquerda) se tornou herói nacional e passou a estampar rótulo de cerveja

2009 jun

Lançada em abril de 1999, a cerveja Antarctica Festa (ao lado) foi a primeira (e por enquanto, única) cerveja brasileira em lata de 237 mililitros. Apesar das apostas da então Cia. Antarctica Paulista no lançamento, o projeto foi descontinuado antes do final daquele mesmo ano, logo depois da criação da AmBev, com a compra da Antarctica pela Brahma. Enquanto durou, a latinha fez a festa: a produção de 5 milhões de unidades, que pelas previsões deveria ficar no mercado por seis meses, foi vendida na metade desse tempo. (EM nº 1, junho de 1999)

2008 dez

Antes de 1960, havia dois tipos de garrafas de cerveja no Brasil: as verdes e as de cor âmbar. Dizem os boêmios daquela época que as de “casco escuro” eram melhores que as de “casco claro”. Se viesse uma cerveja de “casco verde”, era rejeitada imediatamente pelos experts de plantão nos botecos. Isso porque, diz a lenda, as cervejas fornecidas em garrafas claras tinham qualidade inferior. Uma das primeiras marcas a usar apenas o “casco escuro” foi a Faixa Azul, da Cia. Antarctica Paulista. Depois de o mercado acostumar-se com a referência de que a garrafa âmbar era sinal de boa cerveja, todos os demais fabricantes passaram a envasar suas bebidas nessas embalagens. Tanto que nas propagandas da época, os cascos que apareciam eram sempre os escuros.

2008 out

Anúncio apócrifo que falava de supostos malefícios da Coca-Cola foi rebatido com slogan enaltecendo a bebida. Guaraná Antarctica citava Rui Barbosa para desdenhar concorrência

Pesquisa feita pelo Ibope em 1954 revelava que naquele ano apenas 7,5% dos habitantes do Rio de Janeiro, então capital do país, bebiam Coca-Cola. O líder de mercado era o Guaraná Antarctica, com 46% das preferências. A Coca-Cola não era bem vista pelos donos de bar, pois, além de preta, cor inédita para refrigerantes, precisava ser consumida gelada, e os refrigeradores, em sua maioria movidos a querosene, não ajudavam. O problema era agravado com boatos e anúncios (apócrifos) em jornais em torno dos potenciais malefícios da bebida  sobre o organismo. Para reagir, a multinacional adotou o slogan “Coca-Cola – Isto faz um bem” e passou a ressaltar a qualidade do produto. Enquanto isso, o Guaraná Antarctica minimizava a força da concorrência e em seus anúncios citava até Rui Barbosa para dizer que “não admitia confrontos”. A estratégia da Coca-Cola, aliada ao desdém do concorrente, deu certo. O refrigerante se tornou e até hoje é líder de mercado.